Medicina Veterinária da Urcamp registra turma formada totalmente por mulheres

Turma com 100% de integrantes mulheres

Grupo marca avanço da presença feminina na profissão

 

ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Por Érica Alvarenga - acadêmica do curso de Jornalismo

 

A presença feminina na Medicina Veterinária tem crescido de forma significativa nas últimas décadas, e um exemplo dessa transformação pode ser visto na Urcamp em Bagé. No curso de Medicina Veterinária da instituição, uma turma do último ano é composta exclusivamente por mulheres, um cenário que simboliza mudanças históricas na profissão e reforça o avanço da representatividade feminina na área.

 

A coordenadora do curso, Paula Santos, explica que essa transformação não aconteceu de forma repentina, mas é resultado de um processo gradual que vem sendo observado em todo o país. Segundo ela, há alguns anos as mulheres já são maioria nas turmas de graduação, refletindo uma tendência que também se repete em outras áreas do Ensino Superior. “Essa mudança no perfil da Medicina Veterinária já vem acontecendo há décadas no Brasil inteiro. Quando conversamos com colegas de outras instituições e até dentro da própria Urcamp, percebemos que já faz muitos anos que temos mais mulheres do que homens nas turmas”, explica.

 

A turma atual iniciou o curso durante o período da pandemia e, ao longo da graduação, foi passando pelas etapas comuns da formação e ajustes no percurso acadêmico. Somente quando as estudantes chegaram ao 9º semestre é que a coordenação percebeu que todas as integrantes da turma eram mulheres. “Quando elas foram para o 9° semestre eu percebi que eram só mulheres e até fiz uma brincadeira com elas sobre isso. Foi naquele momento que elas também começaram a perceber”, conta a coordenadora.

 

Durante muito tempo, a Medicina Veterinária foi vista como uma área predominantemente masculina, especialmente em atividades relacionadas ao trabalho com grandes animais e produção rural. No entanto, esse cenário vem se transformando. De acordo com Paula, a presença feminina já se consolidou em diferentes campos da profissão. “No passado era mais comum ver mulheres atuando apenas com cães e gatos. Hoje encontramos profissionais em todas as áreas, inclusive na produção e no trabalho com grandes animais”, afirma.

 

Apesar do avanço, a coordenadora reconhece que ainda existem desafios relacionadas ao preconceito de gênero dentro da profissão. “Eu já tenho mais de 20 anos de atuação na área e ainda existe um certo preconceito em relação à atividade da mulher na veterinária. Mas hoje vejo que a situação é bem melhor do que quando comecei. Há muito menos resistência”, destaca.

 

Para ela, a presença feminina também desempenha um papel importante na formação de novas gerações de profissionais e na transformação da mentalidade dentro do mercado de trabalho. “Os estudantes já ingressam no curso compreendendo que muitas das profissionais responsáveis por sua formação são mulheres. Isso contribui para uma aceitação muito maior dessa realidade”.

 

União e identificação entre as estudantes

Para as alunas, estudar em uma turma formada apenas por mulheres tem um significado especial e simbólico. Acadêmica de Veterinária, Eduarda Leite Rodrigues acredita que a experiência representa uma forma de quebrar estereótipos historicamente associados à profissão. “Acho que uma palavra que resumiria bem seria desmistificação. Historicamente as turmas de Medicina Veterinária eram compostas em sua maioria por homens, e hoje vemos um crescimento muito grande do público feminino na área. Nossa turma demonstra bem isso”, afirma. Embora a dinâmica das aulas não tenha mudanças significativas, Eduarda diz que o ambiente compartilhado entre mulheres cria uma identificação importante entre as colegas. “Dentro do ambiente acadêmico compartilhamos desafios, inseguranças e conquistas parecidas. Isso acaba gerando empatia e compreensão das vivências umas das outras”, explica.

 

A estudante Daiane da Silva Kaufmann destaca que o apoio mútuo foi fundamental ao longo da graduação. “Passamos juntas por provas difíceis, estágios, noites de estudo e momentos de alegria. Isso cria uma união muito grande, onde uma sempre está apoiando a outra”, relata. Para a estudante, integrar uma turma exclusivamente feminina também representa um marco na conquista de espaço das mulheres na profissão. “Mostra a força e a dedicação das mulheres que estão conquistando cada vez mais espaço em áreas que antes eram dominadas por homens. É inspirador ver tantas mulheres com o mesmo sonho, se apoiando e crescendo juntas”, afirma.

 

Representatividade e inspiração

Para as estudantes, a presença feminina crescente na profissão também tem um papel inspirador para outras meninas que desejam seguir carreira na área. A coordenadora acredita que a formação de mulheres veterinárias contribui diretamente para ampliar a representatividade. “Essas meninas muitas vezes vão trabalhar com grandes animais, e isso mostra que toda mulher é capaz de atuar na Medicina Veterinária, ser competente e ocupar os espaços”, afirma Paula.

 

No contexto de celebração pelo Dia Internacional da Mulher, Eduarda acredita que a turma representa um símbolo de resistência e conquista. “Sabemos das lutas históricas por direitos e oportunidades para as mulheres. Ver cada vez mais mulheres ocupando espaços que antes não tinham presença feminina mostra o avanço dessas conquistas”, destaca.

 

Para Daiane, fazer parte desse grupo é motivo de orgulho. “Representa força, conquista e evolução. Mostra que as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços na ciência, na saúde e em diversas profissões”, afirma.

 

A medida que se aproximam da conclusão da graduação, as futuras médicas veterinárias carregam consigo não apenas a realização de um sonho, mas também o simbolismo de uma geração que ajuda a transformar a profissão. “A realização de um sonho. Trabalhar, lutar por esse objetivo e mostrar que somos capazes de ser tudo aquilo que desejamos”, resume Eduarda.

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