Arroio Bagé é tema de reflexão no encerramento de Semana Acadêmica na Urcamp
A arquiteta Eulália Anselmo encerrou, na noite de quinta-feira, 17, a programação da Semana Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia Civil da Urcamp. Realizada no Salão de Atos do Campus Central, a palestra “Um olhar sobre o Arroio Bagé e sua importância urbanística” propôs uma reflexão sobre a relação entre a cidade, o território e o curso d’água que atravessa Bagé.
Com quatro décadas de atuação profissional, Eulália destacou a responsabilidade de arquitetos e engenheiros na transformação dos espaços e defendeu uma formação que considere o território de maneira ampla, para além dos limites dos lotes e das construções. Segundo ela, conhecer a cidade, perceber suas características e compreender suas necessidades são etapas fundamentais para a elaboração de projetos que contribuam para a qualidade dos espaços urbanos.
Ao direcionar a discussão para Bagé, a arquiteta chamou a atenção para a importância das águas na organização e na manutenção da vida urbana. O Arroio Bagé foi apresentado como uma “artéria viva” do município, integrado a uma rede de afluentes que conduz as águas em direção à Bacia do Rio Negro.
Eulália também abordou a situação atual do arroio. Ela destacou a presença de mata ciliar e a biodiversidade existente ao longo do curso d’água, mas observou que o arroio ainda recebe dejetos e possui pouca integração com a vida cotidiana da população. A arquiteta lembrou que o local já teve pontos utilizados para balneário e lazer e defendeu a preservação e a valorização de suas áreas naturais.
Durante a palestra, também foram mencionadas iniciativas e estudos desenvolvidos ao longo dos anos em torno do Arroio Bagé, com destaque para a atuação do grupo Ecoarte e de profissionais e pesquisadores que contribuíram para ampliar o debate sobre a preservação do curso d’água.
Como proposta para o futuro, Eulália defendeu que a academia e o setor profissional assumam a discussão sobre a totalidade do trecho urbano do arroio, estimado por ela em aproximadamente sete a 10 quilômetros. Entre as possibilidades apresentadas está a criação de um parque linear, com caminhos para caminhada e corrida em decks ou trilhas, aproveitando as características naturais existentes e buscando reduzir a pressão sobre as áreas de preservação.
A arquiteta também destacou o Parque Natural Municipal Zeno Freitag, com 150 hectares, localizado nas proximidades da BR-153. O espaço foi apresentado como parte da trajetória do arroio e como uma possibilidade de articulação entre preservação ambiental, planejamento urbano e uso público.
No encerramento, Eulália apresentou um vídeo produzido a partir de imagens captadas por drone. As imagens percorreram diferentes trechos do Arroio Bagé e permitiram visualizar a extensão do curso d’água dentro do município, reforçando a dimensão territorial da discussão proposta durante a palestra.