Aula inaugural de Nutrição da Urcamp aborda desafios e evidências sobre o aleitamento materno
A importância do aleitamento materno e o papel dos profissionais de saúde no suporte às mães foram os principais temas da aula inaugural do curso de Nutrição da Urcamp, realizada na noite de quinta-feira, 13, no Salão de Atos do Campus Central. A atividade, alusiva à Semana Mundial do Aleitamento Materno, contou com o apoio da Cema Eventos e reuniu estudantes, egressos, profissionais e integrantes da comunidade para discutir evidências científicas, práticas de apoio e desafios relacionados à amamentação.
Entre as convidadas estiveram a professora mestra Jaluza das Neves Alves Fernandes e a enfermeira Carolina Saraiva Gularte, que abordaram o aleitamento a partir de diferentes perspectivas profissionais. Enquanto Jaluza concentrou sua exposição nos aspectos científicos e nutricionais do cuidado materno, Carolina aprofundou questões práticas e a importância de uma abordagem individualizada para mães e bebês.
Na apresentação, Jaluza destacou que o cuidado com a alimentação da mãe começa ainda durante a gestação e pode contribuir para uma experiência mais saudável no período de amamentação. A professora abordou a qualidade da alimentação materna, a importância dos macronutrientes e micronutrientes e evidências científicas relacionadas à saúde materno-infantil.
Outro ponto apresentado foi a relevância dos dados produzidos pelo Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), que reúne informações sobre indicadores de saúde e alimentação de crianças brasileiras. Segundo Jaluza, os resultados permitem acompanhar aspectos como a amamentação na primeira hora de vida e o aleitamento materno exclusivo, contribuindo para a compreensão dos desafios enfrentados no país.
A professora também chamou atenção para a necessidade de uma rede de apoio às mulheres durante o processo de amamentação. Para ela, inseguranças e dificuldades podem ser enfrentadas com maior segurança quando a mãe conta com orientação adequada e acompanhamento multiprofissional. “Precisa de um enfermeiro, precisa do nutricionista, precisa do psicólogo, toda essa equipe multidisciplinar que vai dar esse apoio mais profissional para ela e orientar a família”, destacou Jaluza, ao defender a integração entre diferentes áreas da saúde no acompanhamento da mãe, do bebê e dos familiares.
A enfermeira Carolina Saraiva Gularte, por sua vez, destacou o significado de retornar à instituição onde se formou para participar da atividade. Enfermeira, baby planner, doula e consultora em aleitamento materno, ela ressaltou a importância da formação de novos profissionais para uma atuação que considere as particularidades de cada mãe e bebê.
Durante a palestra, Carolina abordou os benefícios da amamentação para a mãe e a criança e propôs uma reflexão para além das orientações técnicas tradicionais. Segundo ela, o atendimento precisa considerar que não existe uma fórmula única para o processo de amamentação, já que cada mulher e cada bebê apresentam necessidades próprias.
A profissional também defendeu a necessidade de desmistificar a amamentação e questionar a visão romantizada frequentemente apresentada em meios de comunicação e redes sociais. Para Carolina, compreender as dificuldades e particularidades desse período é fundamental para que os profissionais estejam preparados para oferecer um atendimento mais acolhedor e efetivo.
A discussão também relacionou o aleitamento materno à promoção da saúde ao longo da vida. Carolina destacou que a amamentação está associada a benefícios para a saúde materna e infantil e que o incentivo à prática pode contribuir, em perspectiva de saúde pública, para a prevenção de doenças e para a redução de demandas futuras sobre o sistema de saúde.